sábado, 22 de fevereiro de 2014

QUANDO TAMANHO É DOCUMENTO: POR QUE


QUANDO TAMANHO É DOCUMENTO: POR QUE

JOHNNY ESCREVE MAIS DO QUE JOÃO.

Universitários brasileiros e americanos foram informados por seus professores de que, no prazo de duas semanas, deveriam escrever, em sala de aula, durante uma hora e quarenta minutos, uma redação sobre o tema “valores universitários”. Durante duas semanas os dois grupos de alunos ficaram expostos ao mesmo conjunto de textos, entre os quais “Voltando Para Casa: O Novo Menino Bolsista”, de Richard Rodriguez, “Pressões da Vida Universitária”, William Zinzzer, “As Universidades Estão Formando Bárbaros Altamente Qualificados”, de Steven Müller, e “Valores Como Padrão de Ação”, de Richard R. Morril. Aos professores coube a tarefa de utilizar esses textos para discussão em sala de aula, e aos alunos foi recomendado, não exigido, que os lessem e estudassem. O objetivo era simples: criar condições para que os alunos pudessem produzir a redação já tendo sido expostos à complexidade do tópico. Cabe mencionar que esse trabalho de préescrita está baseado no argumento, hoje enfaticamente sustentado pelos que trabalham com expressão escrita, de que o ato de escrever é um complexo processo de descoberta, organização, comparação, desenvolvimento, adequação e avaliação de ideias, e não fruto de inspiração momentânea de mentes superdotadas. Em outras palavras, escrever bem tem muito a ver com estudo, dedicação, paciência e, principalmente, suor. Como lembrava o crítico Samuel Johnson, “Um homem sempre consegue escrever se souber se entregar de corpo e alma à tarefa” ou, ainda, como reza a conhecida frase de Bernard Shaw, “escrever é 90% perspiração e 10% inspiração”. Era, em grande parte, a perspiração que pretendíamos resgatar com a estratégia adotada. Tínhamos e temos a convicção de que boas redações raramente são produzidas por alunos que não leram, não discutiram e, portanto, nada sabem do tema sobre o qual devem dissertar. Ao contrário, a prática insiste em demonstrar que a inspiração só logra êxito quando impulsionada por um intenso trabalho de pré-escrita. É importante lembrar que os alunos e professores só foram informados da questão específica que deveria ser discutida no dia e hora em que as redações foram escritas. De modo que, embora alunos e professores soubessem que o tema da redação seria “valores universitários”, a forma de abordagem que seria proposta permanecia em segredo. A intenção era, por um lado, evitar que os professores, involuntariamente, direcionassem a discussão para um aspecto específico do tema e, por outro, evitar que os alunos, conhecendo antecipadamente a questão, se sentissem tentados a vir à sala de aula com uma redação previamente elaborada. Para que o leitor tenha uma melhor compreensão da relação imaginada entre o tema, as leituras e a questão específica apresentamos, em anexo, as instruções que os alunos receberam no momento de produzirem a redação. Cabe, antes de prosseguir, ressaltar que o objetivo do estudo era descobrir o que pensavam e pensam os alunos sobre questões como autoridade, professores, vida profissional, trabalho, lazer etc. Não era nosso objetivo discutir aspectos retóricos ou linguísticos das redações, mas identificar, através delas, os pressupostos que norteiam a discussão dos estudantes sobre a vida universitária, no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar de muitas surpresas, obtivemos respostas mais ou menos esperadas para a maioria de nossas perguntas. Essas perguntas e respostas foram discutidas em um estudo mais extenso chamado “Valores Universitários – Uma Comparação Entre Redações de Calouros Brasileiros e Norte- Americanos”, de 1989. Não cabe discuti-las aqui, mas é inegável que contam muito sobre as diferenças ideológicas e culturais que distinguem os alunos dos dois países - diferenças estas que, com certeza, agem sobre os textos dos alunos de forma mais do que tangencial. O que de imediato mais nos surpreendeu, entretanto, não foi a natureza e a direção ideológica das discussões, mas, simplesmente, a gritante diferença no tamanho das redações. Após estudar esses textos detalhadamente fomos levados a concluir que, ao contrário do que normalmente se acredita, tamanho é documento. Pelo menos até certo ponto, como já lembrava o sociólogo Claude Fischer (1976), é inegável que quantidade se traduz em qualidade. O que os textos sugerem é que reconhecer a complexidade do assunto em discussão, sustentar um argumento com detalhes ilustrativos, desenvolver as ideias adequadamente, entre outros, implica necessariamente escrever mais do que apenas algumas linhas. Ora, a língua portuguesa é sabidamente mais redundante que a língua inglesa: tem mais concordância nominal, concordância verbal, concordância de gênero, número etc. Isso, somado à origem latina da maioria dos termos da língua portuguesa, com número significativamente menor de monossílabos que a língua inglesa, faz esperar que o volume médio de material produzido, sob condições similares, seja maior em nossa língua. No entanto, no caso em questão, a diferença é marcante exatamente no sentido contrário. Enquanto os estudantes norte-americanos produziram, em uma hora e quarenta minutos, em média três páginas de texto por aluno, os brasileiros produziram apenas uma. Nossa tendência, dada a nossa autoimagem extremamente negativa enquanto povo, é atribuir essa diferença a uma menor dedicação dos alunos brasileiros ao estudo do tópico durante as duas semanas que antecederam ao dia da produção do texto. Essa não é uma explicação descartável e, se verdadeira, confirmaria o mito de que o estudante americano estuda mais. No entanto, não temos evidências para fazer uma afirmação categórica a esse respeito, embora concordemos com a definição de “mito” do crítico Leslie Fidler, qual seja a de que “o mito é uma mentira que diz a verdade”. O que podemos afirmar, no entanto, é que a natureza das declarações dos textos é muito diferente nos dois grupos, e isso talvez explique melhor porque nossos estudantes, no caso em questão, produziram textos menores. Nossas observações mostram que, invariavelmente, o discurso dos universitários americanos se caracteriza por um equilíbrio entre relatos, inferências e juízos, enquanto que o discurso dos brasileiros, via de regra, negligencia o relato e torna-se acentuadamente inferencial e julgativo. Assim, por exemplo, temos a frase de um calouro brasileiro que diz: “Os Centros Acadêmicos atuam de maneira ilusória perante os administradores da universidade”. O aluno, evidentemente, deve ter feito algumas observações para poder inferir que a ação dos Centros Acadêmicos é ilusória. O leitor, no entanto, porque a frase está solta, sem qualquer sustentação e com apenas tênues conexões com frases precedentes e subsequentes, não fica conhecendo essa informação e, por isso mesmo, não tem como saber qual o significado de uma ação ilusória. Até podemos imaginá-lo, mas a verdade é que o autor não o produziu, e aí está uma das razões de seu texto ser curto e pouco inteligível. O semantista S. I. Hayakawa foi muito feliz ao imaginar uma situação bastante frequente nas cortes de justiça para ilustrar essa falta de relato para sustentar inferências e juízos. Muitas testemunhas, por não perceberem a diferença entre relatos, inferências e juízos, criam impasses às vezes difíceis de superar. Hayakawa reproduz o seguinte diálogo ilustrativo: Testemunha: Aquele sem-vergonha me passou a perna! Defesa: Protesto, Meritíssimo! Juiz: Protesto aceito (As palavras da testemunha são retiradas dos registros). Queira, por favor, dizer à corte exatamente o que aconteceu. Testemunha: Ele me passou a perna, aquele rato mentiroso e sem-vergonha. Defesa: Protesto, Meritíssimo! Juiz: Protesto Aceito (As observações da testemunha são novamente excluídas dos registros). Queira a testemunha ater-se aos fatos. Testemunha: Estes são fatos, meritíssimo. Ele, de fato, me passou a perna. Por mais que se esforce, a testemunha, no caso, não consegue relatar os acontecimentos que a levaram ao juízo que, agora, paralisa o seu pensamento. O juízo construído sobre o agente das ações substituiu de tal forma os seus atos que, na mente da testemunha, estes deixaram de existir e, portanto, sequer conseguem ser comunicados. O pensamento parece aprisionado, parado e, como consequência, pensar no agente se confunde com confirmar o juízo sobre o mesmo. Daí que o discurso é repetitivo, sinonímico, carregado de adjetivos que, na verdade, qualificam mais o sentimento da testemunha do que o agente e as ações que executou. Da mesma forma que o discurso da testemunha, é a redação dos calouros - uma roupa que parece não servir em corpo algum. Outro exemplo é a frase do calouro brasileiro que diz: “Os representantes do povo dirigem o país como melhor lhes convém”. Novamente, a frase é inferencial e julgativa. Inferencial porque a declaração está baseada em algum ato do governo que fez o autor chegar a essa conclusão; julgativa porque o autor expressa a sua atitude com relação ao observado, ou seja, entende que o governo deveria agir de outro modo. Ora, as inferências e juízos são perfeitamente aceitáveis quando devidamente acompanhados de relatos que os sustentam. O exemplo aqui apresentado, no entanto, é apenas um dos muitos exemplos de inferência e juízos montados no vazio. Mesmo que aceitemos a verdade da inferência, não podemos fugir ao fato de que lhe falta a sustentação, a ilustração, o desenvolvimento da ideia, o relato. Dada essa ausência, o texto se torna obscuro, impreciso ou, utilizando a terminologia desenvolvida pelo semantista S. I. Hayakawa, o texto aparenta reafirmar os traços estilizados de um “mapa” e não a realidade de um “território” ao qual o “mapa” deveria se referir. O tamanho reduzido do texto, Nos textos dos estudantes americanos, por outro lado, o relato predomina e as inferências e emissões de juízo são, em geral, criteriosamente acompanhadas de exemplificações e descrições. Assim, por exemplo, um aluno escreve que “os pais exercem enorme pressão sobre seus filhos, pois os sete mil dólares que pagam por semestre à universidade fazem com que os pais se sintam com o direito de exigir de seus filhos não só trabalho mas também sucesso”. A quantidade de informações que recebemos nesse caso é notável: ficamos sabendo que a universidade é paga, que os filhos dependem do auxílio financeiro dos pais, que os pais fazem certos tipos de exigências e que o custo da educação durante um semestre naquela escola é de sete mil dólares. Como podemos ver, o aluno saiu do plano puramente inferencial e julgativo, enriquecendo o seu texto, primeiro, com o relato de informação verificável para, em seguida, estabelecer uma relação de causa e efeito entre a dependência econômica e as exigências dos pais. Desse modo, a ideia ganha sustentação e o texto ganha tamanho. Está aí, sem dúvida, também, uma das explicações para a maior clareza dos textos dos universitários americanos e para o fato de os mesmos terem produzido três vezes mais texto do que seus colegas brasileiros. As inferências e juízos tendem, no caso brasileiro, a paralisar o pensamento, dando a impressão, já nas primeiras frases, de que tudo foi dito e nada mais resta a dizer. Na verdade, entretanto, o informativo, o pictórico, o comunicativo, o que poderia dar mais corpo ao texto, o relato, permanecem engavetados na mente do autor. Hayakawa argumenta que deveríamos suprimir de nossos textos expressões como “Jack nos pregou uma mentira” em favor de algo como “Jack nos disse que não tinha as chaves do carro. Entretanto, quando, minutos mais tarde, tirou o lenço do seu bolso, um molho de chaves caiu ao chão ”. Do mesmo modo, um escritor cuidadoso evitará escrever “vi três homens trabalhando”. Ele sabe que a sua frase será bem mais eficaz se conseguir precisar o tipo de atividade, das milhões possíveis, que os três homens estavam executando. Lavando automóveis? Transformando chuchu em cereja? Cortando grama? Recolhendo o lixo das ruas? Vendendo bilhetes de loteria? É fácil ver que o relato adiciona ao texto muito mais do que simplesmente tamanho. Por situar-se nos primeiros degraus da escada das abstrações, o relato cria distinções, acrescenta clareza à intenção do autor, dá vividez ao texto, desnuda as palavras ocas e afasta, de vez, o espectro de Babel. Nas redações que analisamos e que continuamos a estudar, o hábito de julgar e de inferir sem analisar, discutir e descrever é marcantemente brasileiro. A impressão que se tem é de que os textos já nascem gastos, que já foram “escritos” pelo espírito da nação e que, agora, sob forma de clichês, estão sendo transferidos para as páginas produzidas por nossos universitários. Independentemente de preferências ideológicas e xenofobia à parte, não podemos fechar os olhos à constatação de que falta aos nossos alunos o hábito de observar mais, o hábito de relatar mais e de julgar e inferir menos. Falta-lhes, talvez, simplesmente, a oportunidade para que possam desenvolver estas habilidades. Como quase tudo na vida, também isto se aprende. Com a palavra os professores de redação.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Homem moderno nasceu na África


A confirmação da teoria de que o homem moderno teve origem na África é um dos resultados mais recentes da parceria entre genética e arqueologia. De acordo com um estudo publicado na revista Nature em 7 de dezembro de 2000, os Homo sapiens partiram do continente africano em algum momento dos últimos 100 mil anos. Dali, eles seguiram em direção à Europa, Oriente Médio e Ásia e promoveram a expansão para o resto do mundo.

O homem moderno surgiu na África - entre 130 mil e 465 mil anos atrás - e, nos últimos 100 mil anos, iniciou sua expansão

Os pesquisadores, dirigidos pelo biólogo e geneticista Ulf Gyllensten, da Universidade de Uppsala, na Suécia, analisaram o DNA mitocondrial (DNAmt) de 53 pessoas de diversas localidades. A análise, feita pela primeira vez em todas as seqüências do DNAmt (pesquisas anteriores se baseavam em menos de 7% da molécula), permitiu estabelecer com precisão os laços de parentesco de várias gerações por meio da identificação das seqüências desse DNA que sofreram mutações. Os resultados apontam que o ancestral comum do homem moderno viveu na África há 171.500 anos e parte de sua descendência começou a emigração.

O Homo erectus , surgido na Áfricadois milhões de anos, deslocou-se em uma primeira onda de emigração que originou o Homem de Java, o Homem de Pequim e o Homem de Tautavel (sul da Fraa). Esses homens pré-históricos são a base da teoria multiregional, que sustenta que, a partir de um ancestral arcaico comum, o homem moderno teria evoluído simultaneamente em diferentes partes do mundo. Segundo essa teoria, na Europa, por exemplo, o Homo erectus teria originado o Homem de Neandertal, adaptado ao rigoroso clima da era glacial, que posteriormente deu origem ao Homo sapiens .

No entanto, escavações feitas nos últimos anos indicam que neandertalianos e homens modernos conviveram durante dezenas de milhares de anos. Em Java, fósseis de Homo erectus (espécie que, acredita-se, desapareceu há 200 mil anos) apresentaram datação de apenas 27 mil anos. Além disso, fósseis encontrados na Europa e na Ásia apontam que hominídeos já habitavam o planeta antes da emigração africana do Homo sapiens .

Esses achados levaram à hipótese de que o homem moderno conviveu com homens de Neandertal e Homo erectus. Os resultados da pesquisa de Gyllensten são compatíveis com essa hipótese e contradizem a teoria multiregional. O Homo sapiens nasceu na África e, durante sua expansão, encontrou os neandertalianos no continente europeu e uma forma mais arcaica de Homo erectus na Ásia - grupos que desapareceram devido a alterações climáticas ainda não identificadas pelos cientistas.

Thaís Fernandes
Ciência Hoje On-line
05/01/01

domingo, 17 de março de 2013

Filosofia


Filosofia é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem, filosofia é uma palavra grega, que significa "amor à sabedoria". Filósofo é um indivíduo que busca o conhecimento de si mesmo, sem uma visão pragmática, é movido pela curiosidade e sobre os fundamentos da realidade. Além do desenvolvimento da filosofia como uma disciplina, a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um conhecimento, mas uma atitude natural do homem em relação ao universo e seu próprio ser. A filosofia foca questões da existência humana, mas diferentemente da religião, não é baseada na revelação divina ou na fé e sim na razão. Desta forma, a filosofia pode ser definida como a análise racional do significado da existência humana, individual e coletivamente, com base na compreensão do ser. Apesar de algumas semelhanças com a ciência, muitas das perguntas da filosofia não podem ser respondidas pelo empirismo experimental.

domingo, 10 de março de 2013

Formação do povo brasileiro


Ao falar da formação do povo brasileiro, é necessário primeiramente considerar que essa é uma história de longa duração e com muitos personagens. Como bem sabemos, o povo brasileiro é marcado pela questão da diversidade. Uma diversidade de cores, fisionomias, tradições e costumes que atestam a riqueza da população que ocupa todo esse território. Sendo assim, vamos observar rapidamente alguns desses mesmos personagens.  Ao longo da Pré-História, o processo de ocupação do continente americano possibilitou a organização de várias comunidades no interior e na região litorânea. Entre essas culturas mais antigas, podemos destacar a presença da antiga civilização marajoara, ao norte do Brasil, e os chamados povos sambaquis, que se espalharam por diferentes regiões do litoral sudeste e sul. Avançando no tempo, destacamos a formação das várias comunidades indígenas que se espalharam em pontos distintos do território brasileiro. Não sendo povos homogêneos, mas marcados pela pluralidade, os indígenas se diferem em várias línguas e práticas que, portanto, já faziam parte da população do nosso território. Até o século XVI, eles foram os principais ocupantes desse vasto conjunto de terras e paisagens. Tudo isso viria a se transformar no ano de 1500, com a chegada dos europeus por aqui. Motivados pelo contexto da economia mercantilista e o desenvolvimento das grandes navegações, os portugueses ocuparam o Brasil com a intenção de realizar a colonização das terras e, consequentemente, explorar as riquezas existentes. Sob o signo da dominação e da adaptação, os lusitanos trouxeram para cá as particularidades de sua cultura de origem e da Europa Cristã. Ao longo das idades moderna e contemporânea, notamos a chegada de outros povos de origem europeia. Espanhóis, franceses, alemães e holandeses apareceram por aqui buscando disputar as terras que estavam sendo dominadas pelos portugueses. No século XIX, a expansão da economia cafeeira no Brasil e as crises políticas na Europa incentivaram a chegada de vários camponeses e trabalhadores dispostos a ocupar postos de trabalho tanto no campo, quanto nos centros urbanos da época. Em tempos mais recentes, temos de modo semelhante a chegada dos asiáticos. Muito antes que essa diáspora dos europeus, uma outra diáspora – violenta e injusta – atingiu vários povos de origem africana. Trazidos pelos portugueses, desde o século XVI, vários povos africanos vieram para o Brasil a fim de trabalhar como escravos. Vitimados pela exploração de sua força de trabalho, sofreram com um processo de dominação que também afetou as populações indígenas do território. Ainda assim, deixaram evidentes marcas de sua presença na identidade histórica e cultural do povo brasileiro. Entre todas essas chegadas, conflitos, desigualdades, acordos e contatos é que enxergamos a complexidade do povo brasileiro. Em um território tão extenso, vemos que a unidade de nossa população não passa de um desejo impossível. Contudo, isso fez com que o povo brasileiro fosse admirado por possuir uma variedade encontrada em poucos lugares desse mundo. Hoje, nosso maior desafio é mediar todas essas diferenças tendo o respeito e a tolerância como norteadores de uma vida de maior justiça e felicidade.

Produção flexível


Toyotismo é um sistema de organização voltado para a produção de mercadorias. Criado no Japão, após a Segunda Guerra Mundial, pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, o sistema foi aplicado na fábrica da Toyota (origem do nome do sistema). O Toyotismo espalhou-se a partir da década de 1960 por várias regiões do mundo e até hoje é aplicado em muitas empresas.
Principais características do Toyotismo: - Mão de obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa. - Sistema flexível de mecanização, voltado para a produção somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada a demanda do mercado. - Uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo. - Implantação do sistema de qualidade total em todas as etapas de produção. Além da alta qualidade dos produtos, busca-se evitar ao máximo o desperdício de matérias-primas e tempo. - Aplicação do sistema Just in Time, ou seja, produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária. - Uso de pesquisas de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes.

Taylorismo


Também conhecido como Administração Científica, o Taylorismo é um sistema de organização industrial criado pelo engenheiro mecânico e economista norte-americano Frederick Winslow Taylor, no final do século XIX. A principal característica deste sistema é a organização e divisão de tarefas dentro de uma empresa com o objetivo de obter o máximo de rendimento e eficiência com o mínimo de tempo e atividade.
Principais características e objetivos do Taylorismo:
- Divisão das tarefas de trabalho dentro de uma empresa; - Especialização do trabalhador; - Treinamento e preparação dos trabalhadores de acordo com as aptidões apresentadas; - Análise dos processos produtivos dentro de uma empresa como objetivo de otimização do trabalho; - Adoção de métodos para diminuir a fadiga e os problemas de saúde dos trabalhadores; - Implantação de melhorias nas condições e ambientes de trabalho; - Uso de métodos padronizados para reduzir custos e aumentar a produtividade; - Criação de sistemas de incentivos e recompensas salariais para motivar os trabalhadores e aumentar a produtividade; - Uso de supervisão humana especializada para controlar o processo produtivo; - Disciplina na distribuição de atribuições e responsabilidades; - Uso apenas de métodos de trabalho que já foram testados e planejados para eliminar o improviso.

Fordismo


Fordismo é um sistema de produção, criado pelo empresário norte-americano Henry Ford, cuja principal característica é a fabricação em massa. Henry Ford criou este sistema em 1914 para sua indústria de automóvel, projetando um sistema baseado numa linha de montagem.
Objetivo do sistema. O objetivo principal deste sistema era reduzir ao máximo os custos de produção e assim baratear o produto, podendo vender para o maior número possível de consumidores. Desta forma, dentro deste sistema de produção, uma esteira rolante conduzia a produto, no caso da Ford os automóveis, e cada funcionário executava uma pequena etapa. Logo, os funcionários não precisavam sair do seu local de trabalho, resultando numa maior velocidade de produção. Também não era necessária utilização de mão de obra muito capacitada, pois cada trabalhador executava apenas uma pequena tarefa dentro de sua etapa de produção.
O fordismo foi o sistema de produção que mais se desenvolveu no século XX, sendo responsável pela produção em massa de mercadorias das mais diversas espécies.
Declínio do fordismo. Na década de 1980, o fordismo entrou em declínio com o surgimento de um novo sistema de produção mais eficiente. O Toyotismo, surgido no Japão, seguia um sistema enxuto de produção, aumentando a produção, reduzindo custos e garantindo melhor qualidade e eficiência no sistema produtivo.
Fordismo para os trabalhadores. Enquanto para os empresários o fordismo foi muito positivo, para os trabalhadores ele gerou alguns problemas como, por exemplo, trabalho repetitivo e desgastante, além da falta de visão geral sobre todas as etapas de produção e baixa qualificação profissional. O sistema também se baseava no pagamento de baixos salários como forma de reduzir custos de produção.